O PROGRAMA SPOT

O Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), entidade responsável pelas atividades espaciais na França, constituiu em 1973, em conjunto com o Instituto Geográfico Nacional (IGN), o Grupo para o Desenvolvimento da Teledetecção Aeroespacial (GDTA). As atividades desenvolvidas por este grupo foram responsáveis pela definição do projeto SPOT em 1977.

O programa SPOT (Systeme Probatoire d'Observation de la Terre) foi planejado e desenhado como um sistema operacional e comercial. Foi iniciado pela França em 1978 que buscou a participação da Suécia e da Bélgica, com o objetivo de lançar vários satélites cartográficos e de recursos naturais.

O programa é gerenciado pela Agência Espacial Francesa-CNES, que é responsável pelo desenvolvimento do programa e operação do satélite.

O SPOT 1 foi lançado em 22 de fevereiro de 1986 a bordo de um foguete Ariene (Figura 4), desde a base de Gouru, na Guiana Francesa. As primeiras imagens foram recebidas pela estação receptora de Toulouse-Ausaguel 24 horas após o lançamento (Figura 5).

Foguete Ariane
Figura 4
Foguete Ariane


O SPOT 2 foi lançado em janeiro 1990 e o SPOT 3 foi lançado em setembro de 1993. O SPOT 4 foi lançado em 24 de março de 1998 e o SPOT 5 está programado para ser lançado em 2001. Ele vai oferecer uma resolução geométrica de 2,5 metros. (Figura 6).

Satélite SPOT 4
Figura 5 - Satélite SPOT 4


Em sete anos de serviços ininterruptos os SPOTs 1 e 2 geraram quase 3 milhões de imagens. O SPOT 3 é idêntico a seus predecessores.

Os satélites SPOT carregam a bordo dois sistemas sensores idênticos, o High Resolution Visible (HRV) que podem ser ativados independentementes. Estes sensores operam no modo pancromático (0,51 a 0,73 mm) com 10 x 10 metros de resolução espacial e, no modo mutiespectral (0,50 a 0,89 mm) com 20 x 20 metros de resolução espacial. Estes sistemas sensores representaram um substancial avanço no área do sensoriamento remoto ótico.

O SPOT 4, carrega a bordo dois instrumentos imageadores, o HRVIR e o VEGETATION.O primeiro tem uma faixa de recobrimento de 120 km de largura, três bandas tradicionais dos satélites antecessores (0,5 a 0,9mm) e foi acrescentada uma quarta banda no infravermelho próximo (1,5 a 1,75mm). Em conjunto com as três bandas já existentes, esta nova banda oferece uma melhor discriminação entre culturas e cobertura de plantas, e entre solos e formações geológicas. Ela é particularmente sensível ao conteúdo de água dos solos, da folhagem e da estrutura da cobertura de plantas.

O VEGETATION, com campo de visada larga e 2200 Km de faixa da cobertura possibilita adquirir imagem do globo inteiro, com uma resolução média de 1 km, uma vez a cada 24 horas. Ele usa as mesma bandas espectrais dos principais instrumentos do HRVIR, incluíndo a banda no infravermelho próximo, mais uma banda experimental, BO (0,43-0,47mm).

Possui também a habilidade de adquirir duas imagens separadas, de forma simultânea pelo mesmo HRVIR, o que permite ao usuário fazer um overlay da informação pancromática e multiespectral e combinar as vantagens de alta resolução espacial (10 metros) com o dado multiespectral.

Um outro grande avanço em relação aos dados LANDSAT e do SKYLAB, é a possibilidade de obtenção de visadas fora do nadir, permitindo a obtenção de pares estereoscópicos de imagens de uma mesma cena.

O programa SPOT foi planejado e projetado como um sistema operacional e comercial. É o primeiro programa de sensoriamento remoto a ter sua distribuição de serviços organizada em bases comercial.

Para atender à comercialização e a difusão dos dados, em nível internacional, foi criada uma empresa a Société Spot Image, que possui filiais em diversos países. A SPOT Image é uma companhia privada com sede na França e foi formada em 1982 para cuidar da distribuição comercial das imagens SPOT, promover o sistema e gerar e processar os dados. Eles estabelecem uma rede de distribuidores em mais de 20 países. No Brasil a comercialização dos produtos SPOT é feita pela INTERSAT.

Atualmente a construção e o lançamento dos satélites são financiados pelo governo francês, mas está previsto que no futuro, a nova geração de satélites seja totalmente financiada pelo setor privado.



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